Café...tudo de bom!

7.9.15

Ao Dia Sete de Setembro


Mancebos, que sois a esperança 
Do majestoso Brasil; 
Mancebos, que inda tão tenros 
Sabeis de louro gentil 
Adornar o pátrio dia, 
Nosso dia senhoril! 

Eis que assomou sobre os montes 
Além, sobre a antiga serra, 
Entre mil nuvens de rosa, 
O dia de nossa terra; 
Aquele que para a Pátria 
Milhões de glórias encerra. 

Foi hoje que o Lusitano, 
Que o filho de além do mar, 
Despertou com forte brado 
A Pátria que era a sonhar, 
Que nem sequer escutava 
A liberdade a expirar. 

E o brado: — "Livres ou mortos" 
Lá nos bosques retumbou; 
E mais contente o Ipiranga 
As suas águas rolou; 
E o eco d'alta montanha 
Todo o Brasil ecoou. 

E as montanhas lá do Sul, 
E as montanhas lá do Norte, 
Repetiram em seus cumes: 
Sempre ser livres ou morte...
E lá na luta renhida 
Cada qual luta mais forte. 

Sim, nos combates que, ousados, 
Travaram cem contra mil, 
O mancebo que nascera 
Sob este azul céu de anil, 
Forte como um Bonaparte, 
Batia o forte fuzil. 

E cada qual no combate 
Ao ribombar do canhão 
Queria à custa da vida 
Dar à Pátria salvação, 
Vingar a terra natal 
D'aviltante servidão. 

Eia, pois, flores da Pátria, 
Esp'rançosa mocidade! 
Que os Andradas e os Machados 
Do alto da Eternidade 
Contentes vos abençoam 
No dia da Liberdade.


*Castro Alves*
Bahia, Ginásio Baiano, 7 de setembro de 1861.
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