Café...tudo de bom!

12.9.13

O Sonho da Loucura



Vivendo uma vida obscura,perambulando pelas ruas desertas,a Loucura arrastava fiapos de chinelos pelas calçadas,coberta de andrajos malcheirosos e repugnantes,muitas vezes descalça,via sangrar a planta dos pés sugerindo-lhe ser uma grande pintora a registrar suas rubras telas pela trilha por onde passava. 

Inda assim, ela alimentava um sonho e o proclamava ao vento na esperança de que ele pudesse ajudá-la a realizá-lo...

Quem não era surdo escutava-lhe os suspiros e os diálogos travados entre ela e o vento quando lhe suplicava que trouxesse de volta o seu grande amor. Ele havia partido há milênios e não mais lhe enviara notícias.

O vento implorava-lhe paciência e aceitação dos fatos pois que o amor não se impõe nem se acorrenta, ele vive livre a circular pelos mais recônditos caminhos da vida mantendo-a e sustentando-a sem se deter,jamais!

Inconformada e inconsolável a Loucura emitia esgares de dor enquanto a sua alma transbordava pelos poros impregnando a atmosfera de um perfume adocicado e sutil qual as lindas manhãs de setembro.

Ciente de que o vento não realizaria o seu sonho, deliciava-se em recordar os momentos nos quais se embriagou de prazer nos braços do seu amado, lançando-se na eterna busca de um dia reencontrá-lo .

Certo dia encontraram-na morta, abraçada ao seu sonho que se debatia na ânsia de libertar-se e seguir adiante...Não se sabe, até hoje, se ele conseguiu ou não...!

soninha
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