Café...tudo de bom!

27.4.15

No Álbum de Uma Africana


Qu'importa a cor, se as graças, se a candura,
Se as formas divinaes do corpo teu
Se escondem, se adivinhão, se apercebem
Sob esse tão subtil, ligeiro véu?

Que importa a cor, se o sceptro da belleza
Co'o mesmo enleio e brilho nos seduz?
E se o facho d'amor reflecte a esparge
Ou no jaspe, ou no ébano, egual luz?

E menos bella, acaso, a violeta
Por que o céu lhe não deu nevada cor?
Não é gentil a escura peônia
Ou do verde lilaz a roxa flor?

Não tem encantos mil a noute escura,
Não deleita então mais o rouxinol?
Não serão do crepúsculo as sombras pallidas
Mais bellas do que a luz d'ardente sol?

Não vive o alvo lyrio um dia apenas,
E praso egual a cândida cecém,
Em quanto que nas balsas a saudade
De cada vez mais viço e vida tem?

Que importa a cor, se as graças, se a candura,
Se as formas divinaes do corpo teu
Se escondem, se adivinhão, se apercebem
Sob esse tão subtil, ligeiro véu?

*Cândido Furtado*

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