Café...tudo de bom!

10.6.11

Motivos não justificam...


Não pretendo escrever a minha vida com tinta escarlate e páginas que eu precise arrancá-las com receio de envergonhar-me ao ver que serão lidas por outras pessoas.

Motivos para vingar-me já os tive por demais, e um deles foi o assassinato do meu esposo quando eu tinha apenas 31 anos de idade e ele 39, jovens, quatro filhos, dois casais, um punhado de sonhos a serem realizados, que foram ceifados por alguém que ainda não consegue ver no seu semelhante o reflexo da criação divina, achando-se detentor do direito de interromper vidas...

Conselhos ouvi, e foram muitos, para que eu me vingasse.Chegavam aos meus ouvidos respaldados nos mais torpes argumentos sendo o mais forte, a contratação de alguém para executar a vingança.

A todos eu dava a mesma resposta: 

_ Não posso fazer algo que eu não aceito e que não comunga com os meus princípios morais

Os mais insistentes repetiam os absurdos que brotavam das suas almas sanguinárias: _E não vais fazer nada_?

Como se o destino meu e dos meus filhos dissessem respeito a eles! 

Eu os surpreendia respondendo, com a calma que me sentia banhada naqueles momentos: _Entreguei nas mãos de Deus!_

Julgaram-me louca, desinteressada, infiel à sorte do meu esposo e mil coisas mais, enquanto pasma eu lhes perguntava: _ porventura o trarei de volta?_ Claro que não! Sem falar que eu  estaria sintonizando  o mesmo diapasão vibratório daquele que desestruturou a minha vida para sempre.

Eu carecia de paz para enfrentar a situação perversa que haviam erguido no meu caminho e para ser o suporte aos meus filhos, então órfãos ._Eu não carecia de vingança!_

Hoje, sinto-me livre e leve por não haver alimentado pensamentos e sentimentos contrários às minhas convicções morais e por não ter movido uma palhinha sequer, no sentido de vingar-me ou imaginar que alguém poderia fazê-lo por mim. Sou ave que plana em altos horizontes enquanto aquele que nos trouxe a dor e a mágoa por nos haver subtraído alguém a quem amamos, carpe o seu negro destino,.

Nas mãos de Deus coloquei o mal que nos causaram, esperando pela Sua justiça, e sei que ela se fará, até porque a Lei de Retorno é implacável e imparcial para com todos nós

Não costumo ocupar Deus em demasia porque sei que o mundo fervilha com problemas gravíssimos que urgem serem solucionados, então eu tento resolver os meus pedindo-lhe ajuda, é claro, sob a intuição que os bons espíritos nos dão, mas quando surge um que mexe com as minhas estruturas psicológicas fazendo-me correr o risco de desmoronar e, quiçá, necessitar de intervenções severas, eu me poupo e os entrego nas  Suas Mãos porque sei que a solução virá, e virá de maneira correta para ambas as partes, porque Ele é justo e a sua justiça é imparcial, bem diferente da nossa.

Motivos para vingar-me talvez eu os tivesse sim, na visão de muitas pessoas e não na minha, mas jamais passou pela minha cabeça fazê-lo e creio que por ser assim, fui capaz de criar, educar e encaminhar meus dois casais de filhos para a vida, todos nós de cabeças erguidas com a visão voltada para o futuro,sem olharmos para trás.

Hoje, quando recordo todas as tribulações que sofri por conta de alguém que agiu contra o bem mais precioso que é a vida, vejo e sinto o quanto fui amparada pelas forças divinas que mantiveram-me firme e forte na luta pela sobrevivência, com muita dignidade.

Há quem me julgue errada por não ter feito o mesmo que fizeram a mim. Não me importo, e sabem porquê?

Porque quando eu deito a minha cabeça no travesseiro para dormir, posso até demorar um pouquinho porque sempre padeci de insônia, mas, aos poucos a paz dos justos me embala ,desprendo-me do meu corpo físico e descanso sob as bênçãos do Senhor.

soninha

Postar um comentário