Café...tudo de bom!

17.9.11

Pé de Vento...


PÉ DE VENTO…

Ágil, violento,
De copa em copa,
Salta, galopa,
Relincha o vento.

Corcel alado,
Solta as crinas,
Desce às campinas
Desenfreado…

Transpõe barrancas,
Vales, penhascos,
Nas nuvens brancas
Imprime os cascos.

Da terra fura
Fundo as entranhas,
Na noite escura
Galga as montanhas,

Tolda os remansos,
Muda em cachoeiras
As cabeceiras
Dos rios mansos…

Arranca os galhos,
Pelos caminhos,
Deixa em frangalhos
Frondes e ninhos.

De salto em salto.
Revoluteia…
Lambe o planalto,
Dança na areia…

Na amaldiçoada
Força que o agita,
De cambulhada
Se precipita…

Pende o arvoredo
Num murmúrio:
“Meu Deus! Que medo!
Que horror! Que frio!”

Diz um arbusto:
“Por que me levas?
Tremo de susto
Dentro das trevas.”

Uma andorinha,
De asa quebrada:
“Morro sozinha,
Solta na estrada!”

Pobre tropeiro
Se desengana:
“Rolou do outeiro
Minha choupana!”

Vozes de magoas
Despedaçadas
Choram nas águas
E nas ramadas…

Uivam nas furnas
Feras aflitas,
Sob infinitas
Sombras noturnas…

E o vento nessa
Marcha selvagem,
Corta, atravessa,
Rasga a paisagem.

E segue o rumo
Do movimento,
Subindo a prumo
No firmamento,

Até que rola,
No último açoite,
Como uma bola
Dentro da noite…

Olegário Mariano
poeta, político e diplomata brasileiro


Olegário Mariano (O. M. Carneiro da Cunha), poeta, político e diplomata, nasceu em Recife, PE, em 24 de março de 1889, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 28 de novembro de 1958. 
Era filho de José Mariano Carneiro da Cunha, herói pernambucano da Abolição e da República, e de Olegária Carneiro da Cunha. Fez o primário e o secundário no Colégio Pestalozzi, na cidade natal, e cedo se transferiu para o Rio de Janeiro. Freqüentou a roda literária de Olavo Bilac, Guimarães Passos, Emílio de Meneses, Coelho Neto, Martins Fontes e outros.


Foi ministro plenipotenciário nos Centenários de Portugal, em 1940; delegado da Academia Brasileira na Conferência Interacadêmica de Lisboa para o Acordo Ortográfico de 1945; embaixador do Brasil em Portugal em 1953-54.


Em concurso promovido pela revista Fon-Fon, em 1938, Olegário Mariano foi eleito, pelos intelectuais de todo o Brasil, Príncipe dos Poetas Brasileiros, em substituição a Alberto de Oliveira, detentor do título depois da morte de Olavo Bilac o primeiro a obtê-lo.


Além da obra poética iniciada em livro em 1911, e enfeixada nos dois volumes de Toda uma vida de poesia (1957), publicados pela José Olympio, Olegário Mariano publicou durante anos, nas revistas Careta e Para Todos, sob o pseudônimo de João da Avenida, uma seção de crônicas mundanas em versos humorísticos, mais tarde reunidas em dois livros: Bataclan e Vida Caixa de brinquedos.


Sua poesia lírica é simples, correntia, de fundo romântico, pertinente à fase do sincretismo parnasiano-simbolista de transição para o Modernismo. Ficou conhecido como o “poeta das cigarras”, por causa de um de seus temas prediletos. Academia Brasileira de Letras
abçs,
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