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3.2.12

Georg Trakl

Proeminente poeta expressionista austríaco do início do século XX.

Georg Trakl nasceu a 3 de fevereiro de 1887 em Salzburgo, cidade no noroeste da Áustria. O estranho comportamento de sua mãe e a morte prematura do pai quando ainda era muito jovem acabou lhe causando grandes problemas emocionais, além de ter que sustentar a família (mãe / irmã) com seus esforços após o falecimento de seu pai.

Sabe-se que desde a adolescência o poeta consumia ópio, veronal e cocaína. Teve uma relação incestuosa com sua irmã, e pelo que se sabe sobre a vida de Trakl, talvez tenha sido seu grande amor. Suas cartas foram destruídas, sendo impossível saber algo além. Somente em seus poemas teve certo alívio, remontando-os por diversas vezes, porém sempre tendo em mente suas definições.

Durante a Primeira Guerra Mundial foi oficial farmacêutico, o que abalou profundamente seu já debilitado espírito. Suicidou-se a 3 de Novembro de 1914, na Cracóvia, quando tomou uma dose violenta de cocaína, sofrendo uma parada cardíaca logo em seguida. Trakl tinha apenas 27 anos.

A poesia de Georg Trakl, assim como a de grande parte dos expressionistas, é marcada por profunda angústia, melancolia e desespero humano, priorizando o mundo interior em oposição ao exterior. 
Assim sendo, uma poesia extremamente subjetiva. Outro aspecto marcante de sua poesia é seu diálogo contante com o simbolismo francês, em especial Arthur Rimbaud e Charles Baudelaire. Atualmente sua obra goza de grande fama e prestígio internacional, sendo considerado por muitos críticos o maior dos poetas expressionistas.

- O filósofo vienense Ludwig Wittgenstein afirmava abertamente amar sua poesia embora não a compreendesse, tendo chegado a doar parte de suas finanças a um grupo de artistas dentre os quais Trakl estava incluído.

- Outro grande filósofo do Século XX, Martin Heidegger, também expôs sua admiração a poesia de Trakl.

- O compositor alemão pioneiro da música eletrônica Klaus Schulze é admirador de Georg Trakl, que é mencionado em diversas de suas músicas, como "Georg Trakl" do álbum "X" de 1978 e "Sebastian im Traum" (título de um dos poemas), do álbum "Audentity", de 1983.
 
CALMA E SILÊNCIO
Pastores enterraram o sol na floresta nua.
Um pescador puxou a lua
Do lago gelado em áspera rede.

No cristal azul
Mora o pálido Homem, o rosto apoiado nas suas estrelas;
Ou curva a cabeça em sono purpúreo.

Mas sempre comove o voo negro dos pássaros
Ao observador, santidade de flores azuis.
O silêncio próximo pensa no esquecido, anjos apagados.

De novo a fronte anoitece em pedra lunar;
Um rapaz irradiante
Surge a irmã em outono e negra decomposição.
 Georg Trakl
(tradução: Cláudia Cavalcante) 
 fonte: Georg Trakl
abçs,
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